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Semanada
Boletim online de actualidades
Nº 5 — 25/Jan/99 – 31/Jan/99
AD - Depois de meses de namoro, como manda a tradição, a nova AD arrancou com uma declaração de pias intenções, uma promessa vaga e uma ideia das Arábias. Primeiro a declaração: atenção privilegiada às classes mais desfavorecidas: faz sentido! Com o capitalismo solidamente instalado e sem concorrência à vista, bem o podem ignorar nos panfletos eleitorais. Promete baixar os impostos e aumentar as pensões e reformas: bruxo! Nunca ninguém se elegeu com a promessa de elevar os impostos e manter os rendimentos em níveis terceiro-mundistas. Cautelosamente vão avisando que os impostos só irão baixando na proporção da evasão fiscal recuperada; como não se conhecem propostas concretas e viáveis para reduzir a dita evasão, o mais certo é não haver redução de impostos para ninguém. Quanto ao aumento dos rendimentos, só quando disserem onde vão cortar... A ideia brilhante é criar o "Ministério das Cidades": passei-me! E eu que pensava que os demais ministérios já trabalhavam para elas! Ainda se fosse um "Ministério do Campo"! (25/1/99) QUOTAS - Parece que pouca gente acredita no mérito da proposta do PS. PP e PSD já anunciaram que vão votar contra; o PCP deverá fazer o mesmo. Fora dos partidos também ninguém parece muito interessado. A verdade é que a medida é discriminatória, põe em causa o mérito das mulheres que se venham a dedicar à política e não resolve de facto o problema da discriminação na sociedade portuguesa, apesar das leis já aprovadas. O problema não é jurídico, é cultural, e as transformações culturais são lentas. Na realidade, as mulheres têm é que conquistar o seu lugar na política, como já conquistaram em muitos sectores da sociedade. Onde houver manifestamente discriminação, punam-se os culpados. Onde o problema residir na permanência de tradições, deixem o tempo e as pessoas agir. Mais um naco de prosa legislativa não vai adiantar nada. Quanto ao PS, o melhor que tem a fazer é resolver o problema internamente, dando mais espaço às suas militantes. O que não tem sentido é andar a legislar para resolver problemas domésticos. (25/1/99)
"PORTUGUESAS... - ... portugueses!" Invariavelmente, desde há alguns tempos, à direita e à esquerda, os discursos políticos começam assim. Ao que parece, é politicamente correcto distinguir os sexos e dar a primazia às damas. Cavalheirismo, dirão uns. Machismo, pensarão outros, recordando os tempos em que as mulheres apanhavam porrada em casa e eram compensadas com os lugares sentados nos autocarros. Eu, não sei porquê, habituei-me a usar o masculino genérico e, quando falo em "portugueses", não cuido se andam de saia ou calças, se frequentam discotecas ou a igreja, se votam correctamente, como eu, ou dão o seu apoio a partidos extremistas. A intenção deve ser ostentar uma postura não discriminatória, mas, cá para mim, só não se discrimina, quando se não distingue. Dito de outra maneira: será que a necessidade de distinguir mulheres e homens não tem o seu quê de má consciência? (25/1/99)
FÉRIAS - O Governo propôs alterações à lei das férias: os trabalhadores com assiduidade exemplar terão 24 dias de descanso por ano; em compensação, aqueles que apresentarem um número elevado de faltas, ainda que justificadas, serão penalizados com uma progressiva redução do período de férias anual. Embora apresentada de forma simplista, é esta a filosofia do projecto e, quanto a mim, uma filosofia errada. Acho muito bem que se premeie os trabalhadores assíduos; não tem sentido penalizar os outros, se as faltas forem dadas por motivos justificáveis. A única coisa que o Governo vai conseguir é a provável rejeição do projecto e mais uma polémica desnecessária e desgastante. António Guterres precisa urgentemente substituir os estrategas ao seu serviço. Com iniciativas destas, ainda acaba por transformar a AD num projecto vitorioso. (26/1/99) CENTROS COMERCIAIS - A Associação Comercial de Braga (ACB) anunciou que iria protestar junto do Governo, por entender que o novo centro comercial, actualmente em construção na cidade, excederia as dimensões autorizadas legalmente. Os responsáveis pelo empreendimento refutaram imediatamente a acusção e a Câmara Municipal alega não ter verificado nenhuma alteração ao projecto original. Quer tenha ou não razão, o protesto dos comerciantes tradicionais revela mais uma vez o mal estar dessa classe face à expansão imparável das grandes superfícies comerciais. É compreensível que procurem por todos os meios barrar essa concorrência, no entanto essa estratégia está condenada ao fracasso. O comércio tradicional, se quiser sobreviver, tem que aceitar as grandes superfícies e impor-se aos consumidores por mérito próprio: especializando-se; oferecendo produtos e serviços diferenciados e de qualidade; enfim, marcando a diferença face ao comércio de massas. Dito de outra maneira, só os que revelarem imaginação e tacto comercial sobreviverão. (28/1/99)
QUOTA PARA REFORMADOS - Era previsível! O deputado Manuel 25, recém-chegado ao Parlamento, propôe que seja estabelecida nas listas uma quota para reformados. E tem o direito de o fazer. Se as mulheres não estão devidamente representadas no parlamento e merecem uma quota mínima, os reformados ainda estão pior representados. E podemos ir alargando a lista: deficientes, minorias raciais, minorias religiosas, desempregados... Não incluo os jovens, porque os "jotinhas" já se encarregaram de impor a sua quota. Se a moda pega o "homem" comum acaba por não ter nenhum representante! (29/1/99)

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